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Robôs humanoides chineses são preparados para missões de guerra

07 de September de 2026 0 leituras
Robôs humanoides chineses são preparados para missões de guerra
Foto: Pavel Danilyuk / Pexels

A China está preparando robôs humanoides para uma possível atuação no campo de batalha. Enquanto essas máquinas ainda impressionam em competições com corridas, lutas e demonstrações de equilíbrio, pesquisadores ligados ao Exército Popular de Libertação já estudam como levá-las para missões militares.

Segundo a Reuters, o movimento ganhou força entre 2025 e 2026, com testes, pesquisas e compras voltados a percepção, manipulação e treinamento de robôs. A escala da indústria chinesa ajuda a acelerar esse processo: fabricantes do país responderam por cerca de 95% dos embarques mundiais de humanoides em 2025.

China quer robôs de laboratório no front

Dois dias depois do fim da World Humanoid Robot Games, em Pequim, o jornal oficial do Exército Popular de Libertação defendeu que pesquisadores acelerassem a transferência de tecnologias avançadas dos laboratórios para os campos de treinamento militar.

Uma análise da Reuters encontrou mais de 100 registros de compras militares, estudos acadêmicos, patentes, documentos oficiais e materiais de empresas de defesa que apontam para esse movimento.

Dennis Hong, professor de engenharia mecânica e aeroespacial da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), destaca uma das razões para o interesse militar nessas máquinas.

“Ir para onde não queremos que os humanos vão é uma das razões mais convincentes para desenvolver robôs em primeiro lugar.”

Limpeza de edifícios e patrulha em bases

A Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China (NUDT) já simulou situações em que humanoides, robôs quadrúpedes e veículos não tripulados trabalhariam ao lado de soldados em combates urbanos.

Um estudo de 2025 descreveu uma força com seis robôs divididos em duas equipes. A missão seria avançar por um edifício ocupado, andar por andar e cômodo por cômodo. Os pesquisadores estimaram que equipamentos desse tipo poderiam estar disponíveis dentro de cinco a dez anos.

A pesquisa militar chinesa também considerou missões como:

  • infiltração atrás das linhas inimigas;
  • mapeamento de áreas e localização de alvos;
  • checagem de identidade e patrulhas em bases;
  • reconhecimento e atuação em ambientes perigosos;
  • apoio a tropas em prédios, túneis e interiores de navios.

Bateria e autonomia ainda são obstáculos

A tecnologia está longe de funcionar sem limitações. Os humanoides consomem muita energia e ainda apresentam problemas de confiabilidade fora de ambientes controlados. Em situações reais, terrenos imprevisíveis tornam o desafio ainda maior.

Uma saída é manter um operador humano no controle. O Fuxi, desenvolvido pela estatal de defesa Norinco, pode ser comandado remotamente e foi apresentado para funções de sentinela, reconhecimento em diferentes condições climáticas e patrulhamento.

Malcolm Davis, analista sênior do Australian Strategic Policy Institute, considera que os humanoides ainda não são práticos para o campo de batalha. Mas vê potencial para uma mudança nos próximos anos.

“Mas em cinco a dez anos, eles podem muito bem ser.”

EUA também entram na disputa

A China não é a única potência pesquisando o uso militar de humanoides. No ano passado, o Exército dos Estados Unidos lançou uma competição para desenvolver capacidades que poderiam ser empregadas ao lado de soldados.

Entre as funções previstas estão reconhecimento, segurança, remoção de obstáculos, operações com materiais perigosos e missões ofensivas e defensivas em áreas urbanas. Até 10 finalistas deveriam testar seus sistemas com especialistas militares americanos, com até US$ 1,25 milhão (cerca de R$ 6,41 milhões) disponível para contratos posteriores.

Ainda há uma questão que vai muito além da tecnologia. Sistemas autônomos usados em guerras teriam de distinguir combatentes de civis e respeitar situações como rendição e incapacitação. Por enquanto, os próprios pesquisadores chineses reconhecem que movimento, percepção e inteligência continuam sendo problemas a resolver.

Se esses obstáculos forem superados, os robôs humanoides poderão deixar as arenas de demonstração e começar a ocupar um espaço muito mais próximo das operações militares.

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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Rodapé editorial

Matéria produzida com curadoria editorial assistida por IA, a partir de pauta de olhardigital.com.br.

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